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Sinais de esgotamento mental: quando estás a funcionar na reserva

Os sinais de esgotamento mental mais comuns são cansaço que não passa com o fim de semana, irritação com coisas pequenas, dificuldade em concentrar-te e a sensação de que nada do que fazes chega. Se te revês em vários, não é preguiça: é sinal de que estás a gastar mais do que recuperas. Começa por proteger o descanso e falar com alguém.

Pela equipa do Seramel · Atualizado: · Responsável pelo conteúdo: Hüseyin Can Bayram
Homem cansado no carro ao fim do dia antes de ir para casa, a reconhecer os sinais de esgotamento mental.
«Durmo oito horas e acordo cansado na mesma.»
«Antes gostava do meu trabalho. Agora conto as horas até sair.»
«Fico irritado com tudo e depois sinto-me culpado.»

O que é o esgotamento mental, no dia a dia

Esgotamento mental é a palavra que muita gente usa para descrever um estado em que a energia acabou: continuas a ir trabalhar, a tratar da casa e dos filhos, mas tudo custa o dobro e nada sabe a nada. Muitas vezes aparece depois de meses de pressão no trabalho, de cuidar de alguém doente, de acumular dois empregos ou de viver em modo urgência.

Esta página não serve para avaliar se tens ou não um problema de saúde; isso é com um médico. Serve para te ajudar a reconhecer quando estás a funcionar na reserva e o que podes fazer já esta semana.

10 sinais de esgotamento mental a que deves estar atento

Nenhum destes sinais, sozinho, quer dizer muito. Mas se te revês em vários e há semanas, vale a pena parar:

  1. Cansaço que não passa com uma noite bem dormida nem com o fim de semana.
  2. Acordar já cansado e a pensar no que tens de fazer.
  3. Irritação com coisas pequenas: o colega que fala alto, o trânsito na VCI ou na Segunda Circular, o barulho dos miúdos.
  4. Dificuldade em concentrar-te: lês o mesmo e-mail três vezes.
  5. Esquecimentos frequentes de coisas que antes não te escapavam.
  6. Distância do trabalho: deixaste de te importar com o que antes te motivava, ou só sentes cinismo.
  7. Sensação de que nada chega: trabalhas cada vez mais e sentes que fazes cada vez menos.
  8. Dificuldade em desligar: pensas no trabalho ao jantar, no duche, de madrugada.
  9. Sinais no corpo: dores de cabeça, tensão nos ombros, sono agitado, mais constipações.
  10. Afastamento: recusas convites, deixas de ligar aos amigos, só queres estar sozinho no sofá.
Mulher na cozinha de manhã cedo com um café, cansada antes de o dia começar, um dos sinais de esgotamento mental.

Sinais de esgotamento mental no trabalho

No trabalho, o esgotamento costuma aparecer aos poucos. Começa com ficar até mais tarde "só esta semana", responder a e-mails no telemóvel ao jantar, aceitar mais um projeto porque a equipa está curta. Meses depois, já não te lembras de como era sair à hora.

Alguns sinais específicos: domingo à tarde com um aperto no estômago, adiar tarefas simples que antes fazias sem pensar, sentires que és o único a segurar tudo, ou chorares de cansaço no carro antes de entrar no escritório. Se te revês nisto, lê também sensação de sobrecarga: o que fazer, com passos para aliviar o peso da semana.

O que ajuda esta semana

Não vais recuperar numa semana, mas podes começar a gastar menos do que recuperas:

  1. Protege o sono. Hora fixa para deitar, telemóvel fora do quarto, sem e-mails do trabalho depois do jantar.
  2. Escolhe uma coisa para tirar do prato. Um compromisso, um projeto extra, uma obrigação social. Só uma, mas a sério.
  3. Marca uma pausa por dia longe do ecrã. Dez minutos a andar na rua à hora de almoço contam.
  4. Diz a alguém como estás. Ao parceiro, a um amigo, a um colega de confiança. Esconder o cansaço gasta energia.
  5. Faz uma coisa que te sabia bem antes, mesmo sem vontade: meia hora de praia, um jogo de futebol com amigos, cozinhar algo de que gostas.
  6. Repara no que mais te esgota. Escreve, ao fim de cada dia, o momento que mais te custou. Ao fim da semana vais ver se há um padrão.

Se o esgotamento te leva a adiar tudo, há ideias práticas em como parar de procrastinar.

Porque continuas a esticar a corda

Muita gente chega ao esgotamento não por falta de aviso, mas porque há uma voz que diz "aguenta mais um bocado", "se eu parar, ninguém faz", "os outros também conseguem". Estas frases não aparecem do nada: costumam vir com padrões antigos, como a dificuldade em dizer não ou a sensação de que só vales pelo que produzes.

Não é para te culpares. É para perceberes onde está a alavanca. Se a frase "se eu não fizer, ninguém faz" aparece sempre que te pedem mais alguma coisa, o passo não é descansar mais; é responder de outra forma a esse pedido. Há mais sobre isto em porque continuo a repetir os mesmos erros.

Como falar disto com a chefia ou com a família

Dizer "estou esgotado" pode parecer admitir fraqueza. Ajuda falar em factos e propostas:

  • À chefia: "Nos últimos três meses tenho ficado até às oito quase todos os dias. Não é sustentável. Destas tarefas, quais são as prioridades e o que pode esperar?"
  • Em casa: "Estou no limite. Preciso que nas próximas duas semanas tu fiques com os jantares e as idas à escola às terças e quintas."

Pedir não é falhar. É ajustar a carga antes que o corpo decida por ti.

Esgotamento de quem cuida dos outros

Nem todo o esgotamento vem do emprego. Muita gente em Portugal cuida de pais idosos ou de um familiar doente, ao mesmo tempo que trabalha e trata dos filhos. São consultas, farmácia, telefonemas, noites mal dormidas e a culpa de nunca fazer o suficiente.

Se és tu a pessoa que cuida, alguns pontos de partida:

  • Faz a lista de tudo o que fazes numa semana. Muitas vezes nem os irmãos ou o parceiro sabem a quantidade.
  • Pede uma divisão concreta, com dias e tarefas, não "ajuda quando puderes".
  • Informa-te junto do centro de saúde ou da junta de freguesia sobre apoios para quem cuida de um familiar.
  • Guarda um tempo só teu por semana, mesmo curto, que não seja negociável.

Cuidar de ti não é egoísmo. É o que te permite continuar a cuidar dos outros sem chegares ao fim da linha.

Como o Seramel ajuda quando estás em esgotamento

O Seramel não é um serviço clínico e não te vai dizer se tens burnout. O que faz é ajudar-te a ver o que te esgota e porque continuas a aceitar. É uma IA com quem conversas cerca de 10 minutos sobre um momento concreto: o e-mail às onze da noite a que respondeste, o projeto que aceitaste sem querer.

Faz perguntas curtas, lembra-se das conversas anteriores e, quando o mesmo tipo de momento se repete, dá nome ao padrão com as tuas palavras e diz o que o mantém. Depois propõe um passo pequeno para os próximos dias, como não abrir o e-mail depois das nove, e na conversa seguinte pergunta como correu.

Mulher a caminhar na praia da Costa da Caparica ao pôr do sol, a recuperar energia depois de sinais de esgotamento.

Quando falar com um médico

Fala com o teu médico de família se os sinais duram há mais de duas ou três semanas, se o sono, o apetite ou o humor mudaram muito, se tens sintomas físicos persistentes, ou se sentes que já não consegues fazer o teu trabalho ou cuidar de ti. O médico pode avaliar a situação e, se for preciso, discutir contigo uma baixa ou outras opções. A Linha SNS 24 (808 24 24 24) pode orientar-te sobre onde ir.

Se o cansaço vier com pensamentos de que seria melhor desaparecer ou de fazer mal a ti próprio, liga para o 112. Agora.

Como começa uma conversa

Tu
Acho que estou esgotado. Durmo e acordo cansado, e hoje gritei com o meu filho por causa de um copo entornado.
Seramel
Isso deve ter custado. Como foi o teu dia antes desse momento?
Tu
Respondi a e-mails desde as sete, almocei ao computador e saí às oito.
Seramel
Quando pensaste em sair mais cedo, o que te passou pela cabeça?
Tu
Se eu sair, fica tudo por fazer e a culpa é minha.
Seramel
Já me contaste esta frase no mês passado, com o projeto extra que aceitaste: "se eu não fizer, a culpa é minha". Queres experimentar esta semana sair às seis e meia em dois dias e ver o que acontece de facto?

Exemplo de conversa. As conversas reais adaptam-se ao que decidires contar.

Queres falar sobre o teu dia?

Um momento de hoje, cerca de 10 minutos. 8 conversas grátis; sem cartão, sem nome verdadeiro.

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Perguntas frequentes

Quais são os sinais de esgotamento mental?

Cansaço que não passa com descanso, acordar já cansado, irritação com coisas pequenas, dificuldade em concentrar-te, esquecimentos, distância do trabalho, sensação de que nada chega, dificuldade em desligar, sinais no corpo e afastamento das pessoas. Vários juntos e durante semanas pedem atenção.

Quais são os sinais de esgotamento mental no trabalho?

Aperto no estômago ao domingo à tarde, adiar tarefas simples, cinismo em relação ao que antes te motivava, sentir que és o único a segurar tudo e não conseguir desligar depois de sair. Se se mantêm, fala com a chefia e com o teu médico.

Esgotamento mental: o que fazer?

Protege o sono, tira uma coisa do prato, faz pausas curtas longe do ecrã e diz a alguém como estás. Se os sinais duram semanas ou afetam muito o teu dia, fala com o teu médico de família.

Existe um teste para saber se tenho esgotamento?

Não confies em testes online para isso. Usa os sinais como ponto de partida para uma conversa com o teu médico de família, que pode avaliar a situação com todo o contexto.

Quanto tempo demora a recuperar de um esgotamento?

Depende muito de quanto tempo estiveste sobrecarregado e do que muda na tua vida. O mais importante é reduzir o que te esgota, não só descansar à espera de voltar ao mesmo ritmo. Um médico pode ajudar-te a planear.

O Seramel pode dizer-me se tenho burnout?

Não. O Seramel não é um serviço clínico e não dá pareceres médicos. Ajuda-te a ver o que te esgota e porque continuas a aceitar, e a experimentar passos pequenos. Para avaliar a tua saúde, fala com um médico.

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